Aprenda a aprender: a importância de prestar atenção aos sentidos e se permitir errar

julho 4, 2025

Se você está começando no tênis, ou se sente estagnado na sua evolução, este artigo é para você. A aprendizagem é fruto de um ciclo contínuo de tentativas e ajustes: tentamos algo, coletamos informações sobre a tentativa, fazemos ajustes e tentamos novamente. Repetimos esse processo diversas vezes, refinando nossa execução a cada nova tentativa. A mentalidade certa te ajuda a aprimorar esse ciclo, e neste artigo vamos mostrar como utilizá-la a seu favor.


1. Pense no objetivo da tarefa e deixe seu corpo executar

Toda ação corporal voluntária, ou seja, todo movimento que você pensa em fazer, é planejada internamente pelo seu cérebro. Sem que você perceba, ele diz ao corpo quais músculos devem contrair, quais devem relaxar, em que ordem e com qual intensidade. Tudo isso a partir de uma única informação que você realmente pensou de forma consciente: o objetivo da tarefa.

Por exemplo: ao pensar “vou pegar aquele copo de água”, essa é a única informação consciente. A partir dela, o cérebro reconhece que o copo está à sua direita, estima o peso, ativa os deltoides para levantar o braço, o tríceps para estender o cotovelo, os extensores dos dedos para abrir a mão… e por aí vai. Até planejar os músculos estabilizadores da coluna e a abertura da boca. (Aliás, isso já daria um artigo inteiro sobre “como beber água”).

O que importa aqui é entender que, para praticamente tudo na vida, você pensa no “o quê fazer”, e deixa o “como fazer” para o seu inconsciente e para o banco de dados de movimentos que você desenvolveu ao longo da vida.

Mas, por algum motivo, quando tenta bater uma bola com topspin, você começa a pensar demais em cada parte da batida e até mesmo em onde precisa terminar com a raquete…

A verdade é que planejar o movimento da raquete, e de cada parte do corpo, é um trabalho para seu inconsciente. Tentar controlar tudo conscientemente pode atrapalhar mais do que ajudar.

“Mas se eu não devo interferir… o que devo fazer? Devo errar e continuar errando?”


2. Perceba o que aconteceu e confie no processo

Você se comunica com o mundo ao seu redor por meio dos seus cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. É por meio deles que você recebe informações sensoriais e interpreta o ambiente.

No tênis, usamos principalmente três sentidos: visão, audição e tato. Vemos a trajetória da bola e o movimento dos adversários, ouvimos o som das rebatidas e sentimos o impacto da bola na raquete.

A cada rebatida, certa ou errada, seus olhos, ouvidos e mãos coletam informações, e elas são armazenadas no seu “banco de dados”. Na próxima tentativa, seu corpo usa essas referências anteriores para ajustar e planejar o novo movimento.

Com o tempo e com o acúmulo de experiências sensoriais, seu cérebro começa a fazer ajustes muito mais precisos. É por isso que, hoje, você já não derrama mais água ao pegar um copo. Mas, quando era bebê, provavelmente derrubava com frequência. Foi errando que aprendeu e é errando que aprenderá os golpes do tênis: observe seus sentidos e confie no processo.


3. A importância de variar os erros

Se você comete sempre os mesmos erros (ou até os mesmos acertos), coleta sempre as mesmas informações. E, se coleta as mesmas informações, não expande seu repertório motor.

Por isso, uma das frases que mais uso com meus alunos quando estão com dificuldade em algum movimento é: “Erre de outro jeito.”

Essa frase tem dois objetivos: Mostrar que está tudo bem errar e estimular o aluno a explorar novas possibilidades.

Se você errar três vezes do mesmo jeito, talvez seja hora de tentar algo diferente. Esse novo erro pode se transformar num acerto inusitado, e com ele, vem o aprendizado de uma nova forma de fazer.


Conclusão

Para aprender, é preciso se expor ao maior número possível de experiências e prestar atenção aos seus sentidos.

Portanto, quando quiser aprender algo novo, realize a tarefa com muita atenção à visão, ao som, à sensação tátil… e, acima de tudo, se permita errar e acertar de formas diferentes.

Quanto mais você explorar, mais chances terá de encontrar as formas mais eficientes de fazer.

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